A lit information sign deep inside the chamber against ochre and yellow rock

As paredes

As Cores no Interior: Porque as Paredes São Vermelhas, Amarelas e Violetas

Principais conclusões

  • A rocha é mesmo dessa cor. O que varia entre imagens é a iluminação.
  • Compostos de ferro oxidado, a mesma química que faz enferrujar um prego.
  • Depositado por gases quentes que se deslocam através da rocha em arrefecimento.
  • Há lâmpadas nas paredes. A luz do dia só chega ao topo do poço.

A suspeita compreensível, esclarecida

Quase todas as pessoas que veem fotografias desta câmara antes de reservar pensam o mesmo: alguém andou a mexer no controlo de saturação. É uma suspeita legítima. As imagens mostram paredes escarlates, ocres, cor de mostarda e violetas, num país cuja paisagem é, de resto, feita de rocha negra e céu cinzento.

Não são editadas, ou pelo menos a cor não é inventada. A rocha é dessa cor. O que varia nas fotografias é quais as partes iluminadas e com que intensidade, razão pela qual não há duas imagens desta câmara exatamente iguais.

A rocha subjacente, por sinal, é completamente comum. É basalto, a lava escura e de grão fino que o vulcanismo islandês produz quase em exclusivo. Tudo o que está a ver é um revestimento sobre pedra negra.

De onde vem a cor

Quando a câmara se esvaziou, não arrefeceu de imediato. Durante muito tempo, gases quentes continuaram a deslocar-se através da rocha e das suas fraturas, e os gases que transportam minerais dissolvidos deixam esses minerais à medida que arrefecem e reagem com as superfícies em que tocam.

O ferro é o principal responsável e dá origem aos vermelhos e laranjas. A química é a mesma da ferrugem: o ferro presente na rocha oxida e os óxidos são castanho-avermelhados. Onde o processo foi mais longe, surge um escarlate intenso; onde mal começou, vê-se um tom ferrugento sobre cinzento-escuro.

O enxofre explica os amarelos e os ocres, as cores que mais surpreendem pela sua intensidade. O gás vulcânico é rico em compostos de enxofre, que se depositam facilmente à medida que o gás arrefece, cobrindo as superfícies com crostas amarelas.

Os verdes e violetas são mais difíceis de atribuir a uma única causa e resultam em parte da forma como as lâmpadas os iluminam. O cobre e outros elementos vestigiais contribuem para o efeito, tal como o olho, ao observar uma superfície de tons quentes ao lado de uma sombra de tons frios.

A lamp set into the chamber wall among yellow and violet rock

Uma vista aproximada da parede, vermelho sobre dourado em basalto escuro

Porque apresenta estrias em vez de uma cor uniforme

A cor surge em faixas, estrias e manchas, sobretudo na vertical, e constitui um registo direto da forma como o gás se deslocava. Não preencheu a câmara de forma uniforme; subiu por fissuras e canais específicos, depositando-se mais intensamente onde o fluxo era maior.

Assim, o padrão na parede é um mapa dos percursos do gás. Onde se vê uma faixa vertical de amarelo vivo a descer por uma parede, foi aí que passou uma grande quantidade de gás rico em enxofre. Onde a parede é quase negra, passou muito pouco.

As saliências e os rebordos tendem a ter cores mais intensas na parte inferior, precisamente o que seria de esperar de algo que sobe. Quando reparar nisso, toda a câmara se torna legível, em vez de apenas decorativa.

O que o próprio magma deixou para trás

Nem tudo o que se vê nas paredes é um revestimento mineral. Em alguns locais, a rocha preserva diretamente a forma da lava, e são estes os pormenores que vale a pena procurar depois de apreciar as cores.

Há gotas e escorrências: locais onde a rocha fundida ficou suspensa numa saliência e arrefeceu nessa forma, em vez de cair. Há superfícies lisas, moldadas pelo fluxo e mais vítreas do que a rocha rugosa à sua volta, que assinalam onde o magma esteve em contacto com a parede antes de recuar. Em alguns pontos, a parede mostra uma linha bem definida, uma marca de nível que indica até onde chegou o magma.

Estas características são o único registo direto, na câmara, do acontecimento que a criou. Tudo o resto - a cor, os detritos, as fraturas - aconteceu depois. Peça a um guia que lhe mostre uma; eles sabem onde estão e a maioria dos visitantes passa por elas, de olhos postos no amarelo.

A iluminação e o seu efeito

A câmara é iluminada por lâmpadas montadas nas paredes. Isto influencia mais do que qualquer outro fator aquilo que realmente vê, mas é a parte omitida na maioria das descrições.

A luz do dia entra pelo poço de acesso e talvez alcance a parte superior do espaço. Abaixo daí, tudo o que vê é luz artificial. As lâmpadas são colocadas para destacar determinadas superfícies, o que significa que grandes zonas da câmara permanecem em sombra profunda e que as áreas iluminadas concentram quase toda a cor.

Esta é uma solução melhor do que inundar o local de luz. As sombras dão profundidade, as superfícies iluminadas dão cor, e o pequeno círculo luminoso da luz do dia lá em cima oferece uma referência de escala que uma iluminação uniforme destruiria.

Há ainda uma variável de que ninguém fala: aquilo que estava a olhar imediatamente antes. Chega à plataforma vindo da luz cinzenta do dia na Islândia, muitas vezes depois de nevoeiro, após três quartos de hora a caminhar sobre lava negra sob um céu branco. O olho esteve privado de cor durante uma hora e, de repente, recebe escarlate e amarelo-enxofre. Uma parte significativa do efeito resulta do contraste, e não da química.

Também explica porque é que as fotografias divergem. Um telemóvel que expõe para a parede iluminada torna o resto negro; uma longa exposição com tripé revela pormenores nas sombras e atenua o dramatismo. Ambas são fiéis. Nenhuma corresponde ao que o seu olho vê, pois adapta-se ao longo da hora e acaba por ficar algures entre as duas.

A consequência prática para quem visita é simples. Observe antes de fotografar. A câmara recompensa muito mais os olhos adaptados do que o ecrã de um telemóvel.

Escarlate e amarelo-enxofre sobre basalto negro

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Antes de reservar

As cores são reais?
Sim. A rocha tem mesmo esta cor. O que varia entre fotografias é quais as partes iluminadas e com que intensidade.
O que dá origem ao vermelho?
Compostos de ferro oxidado, a mesma química que provoca a ferrugem no ferro.
O que dá origem ao amarelo?
Enxofre, depositado pelo gás vulcânico quente à medida que atravessava a rocha em arrefecimento.
Porque é estriado em vez de uniforme?
Porque o gás circulou ao longo de determinadas fissuras e canais. O padrão é um mapa de onde circulou.
A câmara é iluminada?
Sim, por lâmpadas nas paredes. A luz do dia só chega ao topo do poço.
As cores mudam à medida que se desce?
Sim, tanto porque os depósitos minerais variam como porque a iluminação também varia.
As fotografias ficam bem?
Algumas ficam. Um espaço parcialmente iluminado desta dimensão supera a capacidade da maioria dos telemóveis, e observar é uma melhor forma de aproveitar a hora.
Qual é a rocha por baixo?
Basalto, a lava escura de grão fino que o vulcanismo islandês produz quase em exclusivo.

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